Não sei como faze-los acreditar em minhas sinceras palavras, nem quero e nem suplico para acreditá-las , mas afirmo que são verídicas.
Em uma dessas noites comuns, recebi um bilhete que fora deixado em cima de minha mesa de centro. Pela letra era uma mulher que o escrevera; neste havia um endereço e um horário que foram rigidamente sublinhados.
Subindo o elevador do prédio que o endereço mandara, este era de uma rara beleza ,ricos detalhes que agora não tenho palavras em minha mente para descrevê-los, mas posso lhes dizer que era divino. Chego no sétimo andar meu destino que para mim, seria um corredor comum, mas ao contrário disso, era grande com um ar severo e uma única porta misteriosa .
Fiquei então andando em círculos pelo chão de mármore gélido e escuro quase negro , que para meu ver estavam bem lustrados, as paredes eram de ladrilhos de cor azul marinho que cobriam o teto. O lugar era mal iluminado, pois havia apenas uma única lâmpada que mal dava para ver o fundo do enorme corredor.
O eco do meu andar pesado e amargurado tomava conta do lugar ,o som era desagradável e sombrio que fazia qualquer um temer.
Ouço que não estou sozinho e bem baixinho é possível ouvir passos que acompanham os meus fora do compasso. Então paro, e vejo a porta se abrindo em uma pequena fresta que de lá de dentro nenhuma luz saía.
Esperava alguém sair de lá ,mas para minha surpresa vejo um gato de pelagem preta vindo em minha direção. Quando foi chegando ao alcance da luz, percebi então que não era um gato qualquer, seu olhar era de um monstro que até as profundezas do inferno não o reconheceria, seu miado era hostil de um timbre completamente diferente.
Fiquei o analisando de longe com um certo temor, seu pelo era negro como um corvo que na manhã de neve corveja sem parar, olhos que lá no fundo são capazes de ver almas que esse gato já carregou em seu dorso, patas silenciosas que no meio da noite invade sem fazer barulho, garras que rasgam o peito e de lá é extorquido o coração.
Rapidamente a luz ficou trêmula e se apagou por fim, conseguia apenas ouvir o miado hostil do gato se afastando silenciosamente, até o memento em que a porta aberta para o gato sair é fechada bruscamente. Seu ruído provoca um estrondo ensurdecedor, o que faz meu coração pular até a boca.
A lâmpada logo volta ao normal ,e há agora uma mulher onde se encontrava o gato, deduzi então que esta fosse a mulher que me mandara o bilhete misterioso, o motivo da minha vinda a esse lugar sombrio.
Era uma mulher de desejar, de uma beldade inigualável. Tinha cabelos longos e negros, pele de uma palidez admirável, seus traços eram sutis e delicados , os olhos tão profundos que fiquei enfeitiçado, boca rosada, e maçãs do rosto coradas; seu sorriso, era de grande beleza, sua voz era doce, mas medonha. Sua vestimenta era uma longa capa preta que se arrastava pelo chão. Ela era uma mulher de ar misterioso fazendo assim qualquer um cair e beijar seus pés.
Fez-me um gesto com o dedo indicador, me chamando para perto, e sem mais delongas fui até ela flutuando, não sentia meus pés tocarem o chão era uma sensação estranha ,porém prazerosa, pois cada vez mais perto da linda mulher meu coração palpitava.
Cheguei perto, pude sentir o seu cheiro, era de uma essência estranha, tinha a fragrância de rosas murchas iguais a de velório, então desconfiado, puxei o ar novamente para confirmar o aroma, percebi que não era apenas rosas murchas, tinha a presença de um cheiro forte, cheiro de morto!
Olhei então em seus olhos, que passaram de encantadores para sinistros; não reconhecia mais a mulher que antes estava ali me encantando com sua beleza, ela havia mudado completamente. Podia sentir o rancor que saía do peito daquela linda jovem.
Desesperado, tento me afastar, mas não consigo; pois ela segura meu braço me prendendo perto:
–– Quem é você –– pergunto trêmulo
Ela fez uma pequena e sombria pausa, olhou em meus olhos e então me respondeu com sua medonha voz
–– Bom, eu sou aquela pessoa que rouba das mulheres, das crianças, e dos homens o que eles tem mais de precioso–– ela parou e nessa pausa senti uma enorme dor em meu peito, uma dor que era de dar ânsia. A encarei desesperado, me faltava o ar, e quando olhei para baixo fiquei pasmo, pois ali sobre aquelas mãos delicadas e pálidas, havia o meu pobre coração.
